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segunda-feira, 14 de março de 2011

Quaresma, de onde para onde?

Quaresma, de onde para onde?

Quaresma, 40 dias de caminho para onde? Para quem?


   Do nosso egoísmo para a fraternidade,

   do nosso desamor para o amor,

   da nossa falta de sinceridade para a verdade,

   da nossa mesquinhez para a generosidade...

   do nosso pequeno mundo para o mundo inteiro,

   dos nossos amigos para todos os homens,

   do nosso deus pequeno chamado “ego” para Cristo, Caminho, Verdade e Vida,

   do consumismo para a caridade,

   do ódio para o perdão,

   da inimizade para a amizade,

   da noite para luz,

   do mal para o bem,

   da falta de Deus para Deus.

Quaresma… é preciso caminhar para chegar à Páscoa de luz e de vida...

Cristo ressuscitado nos espera.

Não tenha medo de passar pelas noites da paixão, da morte, da dor. Sempre a paz, a luz e a vida ressuscitam em nós.

Sem Cristo é noite, com Cristo é luz e paz no coração, dentro e fora de nós.

Seja feliz! Feliz Quaresma e Feliz Páscoa!

Abuna Patrik ( Frei Patricio)

Cairo, 10/03/11
Fonte : Ordem Carmelitas Descalços.

sábado, 5 de março de 2011

O devoto de São José

de Padre Manuel de Alencar (CSS) - 1886-1924
Um dia à porta do Céu
Foi bater com muita fé
Um esfarrapado devoto
Do nosso Pai São José.

Logo abre a porta São Pedro
E vai gritando: _Quem é?...
_ Sou eu, São Pedro, um devoto
Do nosso Pai São José!...

Donde é que vem voss'mecê,
Cheirando tanto a café?...
São Pedro, sou brasileiro,
E venho lá de Tefé!

Se de lá vem, diz São Pedro,
Quem sabe não é pagé?
Saberá fazer feitiço
Com dentes de jacaré?

Deus me livre, grande Santo
Que nada fiz contra a Fé!
Santo não, mas fui devoto
Do nosso Pai São José.

Passe pra cá seu livrinho,
A sua conta-corrente...
Vamos ver se lá por baixo
Você viveu cristanmente...
Oh! Trabalhar nos Domingos
Isso é pecado mortal,
Pois é lei que nos Domingos
Descanse até o animal...

Ah! Foi no tempo, São Pedro
Em que eu era seringueiro...
Foi no tempo em que a borracha
Ainda dava dinheiro.

Aqui também está marcado,
Que raramente ia à Missa...
Então por que? Por desprezo,
Por descuido, ou por preguiça?

_Confessou-se uma só vez:
_ No dia do casamento!
Só recebeu nesse dia
O Santíssimo Sacramento!

_ E por desgraça suprema,
Que me causa compaixão,
Não teve Padre na morte,
E morreu sem confissão...

_ Meu amigo, eu lhe aconselho:
Não se apresente ao Eterno!
No céu não acha lugar:
_ Foi condenado ao Inferno...

Esmagado pela dor,
O triste mísero réu
Ao lado do seu saquinho
Sentou-se à porta do Céu.

Nisto, um anjinho bem loiro,
Com linda estrela na testa,
Vio olhar pela janela,
Mostrando uns ares de festa.

Meu bem _ (lhe diz o devoto)
_ Vá dizer a São José
Que vão me jogar no Inferno
Por ter nele muita fé!

Prontamente foi o Anjo
Se avistar com São José
Que foi logo ao pai Eterno
E perguntou: _ Como é?

_ Chegou-me agora aos ouvidos,
Ó Divino Pai Eterno,
Que um pobre devoto meu
Foi condenado ao Inferno.

_ Não me queixo da Justiça
Nem da vossa Divindade,
Mas agora em parte alguma
Terei mais autoridade!

_ Devo, pois, me retirar,
Ao mundo, se for preciso,
Mas sem prestígio nem força
Não fico no Paraíso!

E deixando o pai Eterno
Surpreso dessa atitude,
São José foi se afastando,
Meio triste, meio rude...

_ Maria, Esposa querida,
Arrume a nossa bagagem,
E vá também se arrumar,
Que vamos fazer viagem...

Aqui o Santo Menino,
Vendo tanta arrumação,
Foi perguntando _ Mãezinha,
Para onde é que vocês vão?

Sempre humilde e obediente,
Calou-se a Virgem Maria,
E dando a Jesus um beijo
Respondeu que não sabia...

_ Meu Filho, (disse chorando
O nosso Pai São José) _
Tornamos de novo ao mundo,
Voltamos a Nazaré...

_ Pois então - disse o Menino
_ O mandamento eu pratico:
_ Obedecendo a meus Pais,
No Paraíso não fico!

Vendo os Apóstolos que o Mestre
La ia embora também
Disse João Evangelista:
_ No Céu não fica ninguém!

E os anjos logo disseram:
_ Que querem, pois, que se faça?
_ Sem Jesus e sem Maria
Já fica o Céu tão sem graça!

Todos, aí, se mexeram,
E cada qual decidido
Foi arrumar a bagagem
Num jubiloso alarido...

Houve um grande rebuliço
Entre os Anjos e entre os Santos,
Profetas e Confessores,
Anacoretas e quantos

Na terra haviam seguido
Com sacrifícios e amor,
Os passos de Jesus Cristo,
A Lei Santa do Senhor...

São Pedro à porta do Céu,
Espantado e obediente,
Olhava pro Pai Eterno,
E olhava praquela gente...

Sossegadinho o devoto,
Diminuindo a agonia,
Sentado junto do saco,
Olhava tudo e sorria....

Fala, então o pai Eterno:
_ Isto assim não pode ser:
_ Sozinho no Paraíso
É que eu não posso viver!

E disse logo a São Pedro:
_ Venha esse homem pra qui:
_ Vou reformar a sentença
Que contra ele escrevi!

_ É de fato escandaloso,
Nunca se ouviu "ab eterno"
Que amigo de São José
Caísse um dia no Inferno...

_ Perdôo, _ disse ao devoto _
Por minha grande clemência:
_ Volte à terra mais um ano,
E faça lá penitência.

_ Volte depois, preparado
Pro rigoroso juízo,
E não venha cá meter
Desordem no paraíso!

São José sorriu contente,
Maria sorriu também,
E Jesus falou bem alto:
_ Digamos todos: Amém!

O Céu vibrou de alegria,
Anjos cantaram melhor...
E o devoto bateu palmas:
_ SÃO JOSÉ É O MAIOR!!

Isto vem mostrar à gente
O poder de São José:
Quem queira mesmo salvar-se
Tenha nele muita fé!

Por ocasião da Campanha da Fraternidade

O tema da Campanha da Fraternidade deste ano é Fraternidade e a Vida no Planeta. São João da Cruz, o místico da busca e da união com Deus, ajuda-nos na meditação do tema, com a poética imagem das "pegadas" do Amado na natureza.

Nas primeiras canções de seu Cântico Espiritual, o santo coloca nos lábios da alma enamorada: "Buscando meus amores, irei por esses montes e ribeiras; não colherei as flores, nem temerei as feras, e passarei os fortes e fronteiras. Oh bosques e espessuras, plantadas pela mão do meu Amado! Oh prado de verduras, de flores esmaltado! Deizei-me se por vós ele há passado. Mil graças derramando, passou por estes soutos com pressura, e, a todos olhando, apenas com sua figura, vestidos os deixou de formosura". Nestes versos, o poeta não afirma que tenha visto a Deus, a quem busca enamorado; porém deduz seu passo pelo seu rastro de formusura que deixou, como se fosse seu perfume ou seu cartão de visita. Quiçá nos diz também o poeta que, na falta da presença do amado, conforma-se com o rastro de suas coisas contemplando a natureza? Não se conforma acaso a alma enamorada com o saber que seu amado esteve onde ele está, e sente seu perfume?

Aprofundemos um pouco mais nestes textos, servindo-nos das análises e comentários que nos oferece o próprio autor em forma de "declarações" que seguem a cada uma das canções. A introdução da declaração à quarta canção nos anima a descobrir a Deus por suas pegadas na natureza, "porque, depois do exercício do conhecimento próprio, esta consideração das criaturas é a primeira por ordem neste caminho espiritual do conhecimento de Deus, considerando sua grandeza e excelência por elas, segundo o Apóstolo que diz: Invisibila enim ipsius a criatura mundi, per ea quae facta sunt, intellecta, conspiciuntur, ou seja, as coisas invisíveis de Deus são conhecidas pela alma pelas coisas visíveis criadas e invisíveis" (Rm. 1,20). Ao dizer "Oh bosques e espessuras" chama bosques os elementos terra, água, ar e fogo; porque assim como ameníssimos bosques estão povoados de espessas criaturas, às quais aqui chama de espessuras, pelo grande número e muita diferença que há delas em cada elemento: na terra, inumeráveis variedades de animais e plantas; na água, inumeráveis diferenças de peixes, no ar, muita diversidade de aves; e o elemento fogo, que concorre com todos para a animação e conservação deles; assim, cada sorte de animais vive em seu elemento e está colocada e plantada nele como em seu bosque e região onde nasce e se cria. Na verdade assim quis Deus na criação deles, quando ordenou à terra que produzisse as plantas e os animais, e ao mar e à água os peixes, e ao ar fez morada das aves (cf. Gn.1). Por isso, vendo a alma que assim tudo ordenou, diz o seguinte verso: "plantadas pela mão do meu amado".

A declaração à quinta canção nos diz que "nesta canção o que se contém em substância é: que Deus criou todas as coisas com grande facilidade e brevidade e nelas deixou algum rastro de quem ele era, não dando-lhes o ser, mas ainda dotando-as de inumeráveis graças e virtudes, formoseando-as com admirável ordem e dependência entre elas".

Depois desta série de comentários introdutórios, aparece com mais claridade o que São João da Cruz entende por "pegadas" de Deus na criação, ao dizer que "passar pelos soutos é criar os elementos...; pelos quais diz que derramendo mil graças passava, porque de todas as criaturas os adornava, que são graciosas; e nelas derramava as mil graças, dando-lhes virtude para poder concorrer com a geração e conservação de todas elas. E diz que passou, porque as criaturas são como um rastro do passo de Deus, pelo qual se rastreia sua grandeza, potência e sabedoria e outras virtudes divinas".

Finalmente, ao comentar os três últimos versos nos diz que "só com a figura de seu Filho, olhou Deus todas as coisas, que foi dar-lhes o ser natural, comunicando-lhes muitas graças e dons naturais, fazendo-as acabadas e perfeitas, segundo se diz no livro do Gênesis (Gn. 1,31) por estas palavras: "Deus viu todas as coisas que tinha feito, e eram muito boas". O vê-las muito boas era fazê-las muito boas no Verbo, seu Filho". E terminando sua declaração nos diz o santo que "chagada a alma no amor..., por este rastro que conheceu das criaturas..., da formosura de seu Amado, com ânsias de ver aquela invisível forosura que esta visível formosura causou, diz a seguinte canção: "Ai, quem poderá sanar-me? Acaba de entregar-te já deveras; não queiras enviar-me mensageiros, que não sabem dizer-me o que quero". Como as criaturas deram à alma sinais de seu Amado, mostrando-lhe assim o rastro de sua formosura e excelência, aumentando-lhe o amor e, por conseguinte, cresceu-lhe a dor e a ausência, porque quanto mais a alma conhece a Deus, tanto mais lhe cresce o apetite e pena por vê-lo".

Romero-Baró, José M

quinta-feira, 3 de março de 2011

Dez pistas para a oração

Dez pistas para a oração

1. Procure situar-se diante do mundo que o rodeia. Todas as posturas têm razão de ser, mas nem todas têm futuro.
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"As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de nosso tempo, sobretudo dos pobres e de quantos sofrem, são alegrias e esperanças, tristezas e angústias dos discípulos de Cristo. Nada há verdadeiramente humano que não encontre eco em seu coração" (GS 1).
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2. Dedique alguns momentos para pensar na sua vida e põe-se em verdade. Não construa a sua identidade comparando-se com os outros.
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3. Perceba o desejo de Deus que há em seu coração. Basta uma pequena brasa para acender um grande fogo.
"O Reino de Deus está dentro de vós" (Lc. 17,21).
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4. Faça silêncio para colocar-se diante de uma presença. Busca a solidão para chegar ao encontro.
"Não é o silêncio algo de quem não tem nada a dizer, mas o silêncio de quem tendo muitas coisas para dizer, cala-se" (São Rafael Kalinowski).
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5. Abra-se à Palabra. Leia com atenção, compreende o que lê, dialoga com a Palabra, permaneça em silêncio diante dela, deixa que a Palabra o construa.
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6. Recorda que orar é "tratar de amizade estando muitas vezes tratando a sós com quem sabemos que nos ama" (Santa Teresa).
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7. Aproveite este momento para discernir sua vida e descobrir o que o Senhor lhe pede para que seja feliz, para que brote o seu "eu" melhor.
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8. Finalize o seu momento de oração com um compromisso.
"O verdadeiro abraço a Deus o damos na vida"
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9. Disponha a partilhar os dons para construir um mundo novo.
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10. Descubra que tarefa você tem que privilegiar em sua comunidade cristã para percorrer com os demais o caminho do encontro com Deus na oração.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Nós colhemos o que semeamos

Se deseja mais amor neste mundo, semeie amor ao seu redor

O quanto e como damos é a medida do que recebemos. O banco da vida é justo e nos devolve o mesmo que antes depositamos. São Paulo nos adverte, baseado em sua própria experiência: "O que alguém tiver semeado, é isso que vai colher. Quem semeia na sua própria carne, da carne colherá corrupção; quem semeia no espírito, do Espírito colherá a vida eterna" (Gal 6, 7-8).

No Cânion do Colorado, um pai passeava com seu filho de sete anos. A manhã estava quente e o sol resplandecia num céu aberto. De repente, o pequeno cai, machuca o joelho e grita: “aaaaaahhhhh!!”

Para sua surpresa, ouve uma voz oculta que também se queixa: “aaaaaaaaahhhhhhh!!”

Curioso o menino grita: “Quem está aí?”

Das profundezas do Cânion, uma voz lhe faz a mesma pergunta: “Quem está aí?”

Irritado com a resposta anônima, o menino grita: “Covarde, por que se esconde?”.

Do outro lado, alguém lhe responde agressivamente: “Covarde, por que se esconde?”.

O menino olha para o pai e pergunta: “Que acontece?”.

O pai sorri e lhe diz: “Meu filho, preste atenção”.

Então, o pai grita para a montanha: “Te admiro”.

Do fundo do Cânion, alguém lhe confessa várias vezes: “te admiro, te admiro, te admiro”.

Mais uma vez o homem exclama: “És um campeão”.

A voz lhe responde: “És um campeão, campeão, campeão”.

O pai sussurra em voz baixa: “Te amo”.

A voz lhe responde com suavidade: “Te amo, te amo, te amo”.

O pequeno fica espantado, porém, não entende. 

O pai lhe explica olhando em seus olhos: “Nós chamamos isso de eco, filho, porém, na realidade, é a vida”.

E acrescenta em voz alta: “Ela te devolve o que diz ou faz...”

Cada um colhe e recebe o que tem semeado e feito.

Se desejas mais amor neste mundo, semeia amor ao teu redor. Porém, se desejas pouco amor, dá pouco [amor]. Se esperas felicidade, dá felicidade a quem te cerca. Se queres sorriso e bênçãos, sorri e abençoa. Se gostas de colher desprezo, menospreza. Se desejas bem materiais, compartilha-os. Se busca amigos, faze-os. Se preferes solidão, fecha-te em ti mesmo. Se te interessa o meio ambiente, semeia uma árvore e não contribua com o aquecimento do planeta. Se necessitas que te escutem, escuta os demais.

Se até o dia de hoje tens colhido solidão, enfermidade, tristeza, traições, não culpes os outros. Antes, reveja suas atitudes, as sementes que tens semeado, e mude se preciso for, para que, rápido, muito rápido, possas colher frutos abundantes e permanentes (cf. Jo 16, 8-16).

José Prado Flores